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Exposição | Exhibition
20.11.2015
– 16.01.2016
Nuno da Luz

Wilderness

Wilderness
Event Details
Detalhes do Evento

Cost of entry
Free admission

Intro
Introdução

The current exhibition by Nuno da Luz at the Vera Cortês Art Agency, Wilderness, differs substantially from the artist’s previous projects, as the works being presented do not gravitate around a specific narrative or concept, but convoke a seemingly intuitive constellation of works of art (including some which were especially produced for the show and others which have been following the artist for some time) that in their ensemble, evoke different work processes, different media and narratives. (...)

Wilderness, a mais recente exposição de Nuno da Luz na Vera Cortês Art Agency, distancia-se de projetos anteriores do artista, na medida em que o corpo de trabalho que apresenta não se organiza em torno de uma narrativa ou um conceito específicos, antes convocando uma constelação aparentemente intuitiva de obras que inclui algumas desenvolvidas especificamente para a exposição bem como outras que acompanham o artista há já bastante tempo e que convocam, no seu conjunto, diferentes processos de trabalho, diferentes suportes e diferentes narrativas. (...)

About
Sobre
(...) Notwithstanding the diversity of the works shown here, as well as the variety of media, the title of the show evokes a number of critical reflections on the construction and reproduction of the concept of “wilderness”, key to how the artist articulates his works in the discursive space that configures this exhibition. To be more specific, da Luz assumes the centrality of this concept in the edification of national colonial identities, built on the gradual elimination of indigenous populations and their history. The western narratives that call for the protection of this “wilderness”, seeing it as a natural and wild heritage that needs to be preserved, often forget that, in many cases, these areas were violently depopulated, and only afterwards kept in a precarious ecological equilibrium, for the sake of a static quality which was imposed on them. Conversely, spaces which are not identified as “wilderness” are subjected to mass destruction and exploitation. All this implies, first and foremost, a radical discontinuity between nature and culture, human and non-human.
Nuno da Luz is interested in reclaiming the term “wilderness” in order to attempt its decolonization; a radical reconfiguration of our relation with the Other may entail a possible answer to the radical discontinuity we find in the nature/culture dialectic. From this perspective, Wilderness is not only a collection of reflections, it is also the link between them, it is the concept that supports and articulates the elements presented in this exhibition. With this in mind, all the pieces propose, albeit in a seemingly biased or hermetic fashion, the possibility of the idea of creating community—not in the historical-political sense of creating community—but rather utilizing a very particular notion of reverse archeology in which recent and contemporary materials (industrial, prefabricated and bought through regular commercial transactions, easily recognizable as utilitarian objects; e.g., lamps, a curtain, skateboards) point towards a new form of animism.
The exhibition is an attempt to reconstruct that which can be understood as our “wilderness”. Not “nature” or some kind of interspecies dialogue, but a dialogue between life forms and non-life forms, assuming that the concept of artificiality is also, and maybe especially, an essential element of what that “other” really is. Not a “world-without-us”, but rather a territory densely populated by presences and intentions; an integral part of who we are, beyond all human/non-human dichotomies.

Luís Silva
(...) Apesar da diversidade dos trabalhos apresentados, bem como dos seus suportes, o título da exposição, Wilderness, dá conta de um conjunto de reflexões críticas sobre a construção e reprodução do conceito de “wilderness” (a tradução para português é ingrata e existe algo que se perde nesse processo, mas pensemos nele como um território selvagem, livre e/ou a conquistar, no qual a presença humana é rarefeita), que são centrais para a maneira como o artista articula as obras no espaço discursivo que configura a exposição. Mais especificamente, da Luz assume a centralidade do conceito na edificação de identidades nacionais coloniais construídas sob o sucessivo apagamento da história e presença de populações indígenas, que habitavam estes espaços antes da chegada dos europeus. Simultaneamente, a narrativa ocidental da defesa da natureza, desta “wilderness”, como legado natural e selvagem a preservar, escamoteia o facto destas áreas terem sido, na maioria das vezes, violentamente despovoadas, para serem posteriormente mantidas em equilíbrios ecológicos instáveis, em nome dum caráter estático que lhes foi imposto. Inversamente, espaços não identificados enquanto “natureza selvagem” são objeto de destruição e exploração em massa, implicando tudo isto, acima de tudo, uma radical descontinuidade entre natureza e cultura, entre humano e não-humano.
A Nuno da Luz interessa-lhe assim tentar reapropriar-se do termo “wilderness” e proceder à tentativa da sua descolonização; a possível resposta à descontinuidade radical da dialética natureza/cultura passa por uma reconfiguração radical das nossas relações com o Outro. Wilderness é, desse ponto de vista, não apenas um conjunto de reflexões, mas o que une, sustenta e articula os elementos da exposição. Assim, todas as obras propõem, ainda que de forma aparentemente enviesada ou hermética, a possibilidade da ideia de criar comunidade, não num sentido histórico-político do fazer comunidade, mas antes através de uma noção muito própria de arqueologia invertida onde materiais recentes, nossos contemporâneos, industriais, pré-fabricados, adquiridos em processos de troca comercial, que podemos reconhecer facilmente como objetos utilitários, ou domésticos (lâmpadas, uma cortina, um relógio, skates, por exemplo), apontam para uma nova forma de animismo.
A exposição procura então reconstituir o que poderá ser a nossa “wilderness”, não como “natureza” ou como uma forma de diálogo inter-espécies, mas antes como diálogo entre formas de vida e formas de não-vida, assumindo a noção de artificialidade também, e talvez sobretudo, como elemento fundamental do que é esse “outro”. Não um “mundo-sem-nós” mas um território imensamente povoado de presenças e intenções, e consequentemente, parte integrante daquilo que somos, para além de qualquer dicotomia humano/não humano.

Luís Silva
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Cost of entry
Free admission